AINDA BEM

Fresta de luz dourada
Olhos me fitando
Tímidos e escorregadios
Por vezes profundos
Capturo como uma foto
Ligeiramente.
Tenho o frame gravado como em película
E grafite
Da cena que eu escolhi guardar.
Do resto eu me desfaço
Lembranças que vão indo
Tal qual desenho na areia de uma praia
Só dos olhos sob a luz dourada
Eu quero me recordar.
Daquele momento da despedida
Um relicário de sensações
Aromas, toques, aquela única cena.
Em uma translação
Conhecer e desconhecer
Tão estranhamente possível...
É real.
Entendo o tempo então como invenção
Ele não existe.
Tão pequeno perto da grandeza do que se vive
Do que se sente.
Invenção que acalenta a realidade
Tão dura dos ciclos.
Tudo vem e vai
E vai
Sem volta.
Eu sabia.
E parei pra registrar
Ainda bem.

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