CHEGUEI AQUI

Meu corpo
Que não tão meu assim
Olhos e mãos que me censuram
Também me apalpam, me apertam
Me invadem.
O medo da esquina
Do beco, da rua deserta
Os rituais de proteção.
Minha rotina é oração
Me livrai dos visitantes sem permissão.
Cheguei aqui.
Tudo novo
Reluz
Este espaço conquistados
Este chão arado
Terra firme que piso com precisão
Estou mil passos a diante
O céu não é meu limite, minha mãe.
Sinto que eu posso voar.
Eu posso voar.

Me arrebatam feito pipa
Corte com linha de cerol
E eu que tão alto ia
Me vejo à força
De volta ao chão.
Cheguei aqui.
E eu que já havia esquecido os medos
Os rituais e as orações
Me vejo de braços dados com eles
Sentados nas carteiras ao lado
Na frente das salas de aula
Nas salas e gabinetes
Nas multidões embaladas pelos hits
Nos corredores também.
Meu corpo
Que não tão meu assim
Assim como o meu céu
Meus limites.
O chão que eu piso
Meus horizontes.
Os meus medos?
Ah, eles desfilam por aí
Ninguém os freia
Jamais.
Meu coração arde
Por que tão vulneráveis?
Eu sinto a sua dor, ela me rasga a pele também
Me impõe questionamentos
Me faz querer gritar
Muito barulho e estardalhaço
Quem sabe assim não nos invadam nunca mais?
Queria ser acalento
Terra firme e segura.
Não vai se repetir. Não, não mais.
Mas eu choro, a minha impotência se assemelha à tua.
Isso me põe ao chão.
De tudo, algo certo
As nossas dores nos unem
Mas o nosso amor transcende
Todo dia é fim do mundo
Cada aurora uma batalha
Vencemos todas
Todos os dias.
Cheguei aqui sim
Terreno cada vez mais meu
Meu corpo agora também meu será
Reconquisto um cado cada dia
Tomando de volta
E olhando à volta
Cada uma delas retomando o seu.
Nossos corpos
Eles chegaram aqui.
E aqui
E a nós
Eles pertencerão.

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