PRECISO DIZER
Eu deveria ter te colocado pra fora antes. Ter escrito você, sobre você, vomitado em textos todas as borboletas e rebuliços que cê causou aqui dentro. Foi tanta coisa dentro doida que teriam me rendido mil poesias, bonitas e cruéis. As dúvidas, incertezas, certezas só minhas, as revoltas. As vezes em que eu quis e tentei correr, as vezes em que eu relutei mas regressei. De quando eu não achava nada. De quando eu achei tudo e me assustei. De quando eu me surpreendi. De quando trouxe paz. De quando bagunçou toda a minha vida, a minha cabeça. Fez que acabou, voltou e bagunçou mais um pouco. Foi a tormenta que chegou em veste de calmaria. A brisa leve que destelhou toda a casa e levou as minhas roupas que estavam no varal. Eu entendi tanta coisa e também não entendi nada. Eu deveria ter te escrito antes. Não pra você, não. Esta escrita é pra ficar no tempo e no espaço. É pra derramar toda a confusão e a beleza que foi a sua passagem. É a tentativa de entender o que foi tudo isso. É preservar o tamanho desse vendaval antes que o tempo reduza tudo, condense as memórias. Quero ler um dia e lembrar a grandeza de tudo como foi. Lembrar dos arrepios a cada pensamento. Espero que com este texto, venham outros. Que as belas poesias que tentaram surgir e foram abafadas, floresçam a partir de agora. Mas caso isso não aconteça, fico com este texto aqui. Não é tudo, mas é alguma coisa.
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