SUTILMENTE
Tentei tanto um fim abrupto. Como uma navalha que corta ligeira e profunda. Por mais que eu dissesse o contrário, assim eu fui acostumada, desde sempre assim tem sido. É como aprendi a lidar. A raiva precede a indiferença e esse caminho toda vida pareceu certeiro. Acontece que seu acontecimento por aqui foi justamente o sacode inesperado, o empurrão pra fora da zona de conforto. Foi mais doloroso, bem mais. Eu nunca soube como sentir com sutileza. Eu sou explosão, sou incêndio, vendaval. A simplicidade nada simples de tudo isso desceu à seco, rasgando a garganta, ardendo meu peito. Mas foi mais bonito. Nunca havia sentido partidas dessa forma. Foi novo, muito novo. Olha, era de se esperar que você saísse pela porta com a mesma delicadeza com que entrou. Mas eu quis estardalhaço. Tentei fazê-la bater, e adivinhe só, ela não bateu. Ela nem sequer fechou pra ser bem sincera. Assim, tenho que seguir andando, sem despedidas, sem certezas, sem pensar. Deixar fluir, deixar estar. Nem tudo existe pra ser refletido, não é? Como você sempre achou melhor não pensar em nada, nunca. Eu tentei, eu juro. Mas pra mim, são inevitáveis os pensamentos. E quando eles não são ditos eles derramam, escorrem. Ou eu pego a caneta e o papel ou morro engasgada. Pois é, eu prefiro transbordar. Consegui sentir sutilmente, talvez, à minha maneira...
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